Revisitando Thor: Love and Thunder (2022) | Notas Dispersas de um Trovão Desafinado

“Entretanto, nada tão estranho quanto o dia em que dois visitantes de Asgard, Loki e Thor, chegaram à fazenda em uma carruagem puxada por duas cabras enormes, que Thor nomeara Rosnador e Rangedor. Os deuses solicitaram comida e hospedagem, e eram enormes e poderosos”. – Neil Gaiman, Mitologia Nórdica (2018, p. 151, tradução de Edmundo Barreiros).

Como os anfitriões responderam não possuir a quantidade e tipo adequados de comida, “Thor resmungou. Sacando a faca, ele matou as duas cabras. Depois esfolou os cadáveres”. Para quem lê assim, desconhecendo a história em si, pode chocar-se; mas o fato é que, se os ossos permanecessem intactos (devolvidos à pele de cada uma) e apenas a carne fosse devorada, Thor conseguia sempre ressuscitá-las inteiras. Nessa história um dos membros seguiu um conselho maldoso de Loki, e quebrou um dos ossos. Quando Thor as ressuscitou, Rangedor voltou mancando e sentindo dor. Os seus nomes originais em nórdico antigo são Tanngrisnir e Tanngnjóstr, ou, no inglês contemporâneo e nas HQs originais, Toothgnasher e Toothgrinder.

Não gosto de separar as minhas análises de filmes de super-herói de suas contrapartes dos quadrinhos, ainda quando se trata do personagem cujas histórias mais li e que mais conheço. Portanto, tomarei o papel do tio Korg, aqui; e darei um tom mais pessoal a algumas partes do texto. No entanto, as referências e comparações limitar-se-ão aos quadrinhos; e a minha despedida à mitologia dar-se-á constatando que o grande adversário do respectivo capítulo, cujas três primeiras páginas descrevi em partes, é Utgardaloki, que Walter Simonson utilizou em peso nas quatro edições de Balder, o Bravo (1985). Para quem não sabe, Balder é o irmão mitológico de Thor. Na época, apenas melhor amigo dele nas HQs, mas (re)transformado em irmão por Joseph Michael Straczynski na segunda metade da primeira década deste século.

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Fonte/Reprodução: Marvel Studios

Todas essas pontas amarradas são para dizer que, basicamente unanimemente, Walter Simonson foi considerado por décadas como o melhor escritor (e desenhista!) a passar pelos quadrinhos do Deus do Trovão. Ele, grande admirador da mitologia desde cedo, foi o primeiro a introduzir mais explicitamente elementos e homenagens a esta nas HQs do personagem. Porém, como tudo nas narrativas, a sua maior e mais digna contribuição foi escrever excelentes histórias. 

Desde a aurora do tempo, ninguém além de nós ergueu Mjolnir

A minha história favorita do personagem foi, por muitos anos, A Balada de Bill Raio Beta. Se estamos falando de um filme em que outra pessoa é capaz de erguer o Mjolnir (escreverei como nas HQs, simplificadamente), este é um personagem que merece uma citação respeitosíssima, pois foi o primeiro nas páginas da Marvel a erguer o martelo do loirão. E o Odin de Simonson sempre foi sábio e bondoso. Até hoje acho muito bonita a delicadeza com a qual ele discute o transtorno de Bill haver “roubado” o malho encantado de seu filho:

“Então, segui-me ambos montanha acima. Discutiremos a questão em Hlidskjalf, o trono absoluto. De lá poderemos ver todos os nove mundos e talvez contemplemos com clareza nossos próprios corações. Atenta, para minhas palavras. Eu sou Odin, filho de Bor e neto de Buri, bem como o senhor de Asgard. Este é meu filho, Thor. Desde a aurora do tempo, ninguém além de nós dois ergueu Mjolnir, o martelo encantado. Até hoje. Senta conosco, forasteiro, e fala-nos de ti”.

A solução para o dilema foi forjar uma nova arma com Eitri (parece familiar?), nomeada pelo próprio Odin como Rompe-Tormentas (ou Stormbreaker). O mesmo autor foi responsável por realizar a Saga de Surtur magistralmente, e o visual do Thor no novo filme (com armadura azul, malha dourada nos braços e elmo fechado) é totalmente baseado na armadura do final de sua fase como escritor do personagem, das edições 378 a 382. Dos autores que vieram posteriormente, o único que conseguiu arranhar um pouco o risco de superar Simonson foi o já citado Straczynski.

Porém, o autor acabou ficando pouco, e das duas grandes contribuições de sua fase, uma foi do desenhista Olivier Coipel, que criou o visual do Thor com a malha prateada nos braços e botas menos escandalosas. A outra, do autor, foi trazer Asgard para a Terra, mas em vez de fazer num local mais lógico, como algum país escandinavo; optou por trazê-la para Oklahoma. Isso gerou boas discussões, mas a Nova Asgard do Cinema, já adianto, considero muito melhor.

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O deus que duvida. Você é o meu Thor favorito

Então, em 2012 a Marvel decidiu chamar um autor já de dentro da Casa das Ideias (e que escreveu muito bem o Motoqueiro Fantasma) para trazer um ar novo às histórias do deus vingador. Foi quando escreveu-se a melhor história do Thor nos quadrinhos em todos os tempos; e o nome de seu criador é Jason Aaron. Trata-se de uma história em duas partes cujo primeiro título soará familiar para quem assistiu ao novo longa do Thor: Carniceiro dos Deuses. O segundo é Bomba Divina.

Assim como penso de Walter Simonson com Bill Raio Beta, a impressão que eu tenho é que o Jason Aaron já tinha essa história muito bem definida em sua cabeça, antes mesmo de ser contratado. Quase como uma história dos sonhos, que estava guardando para quando fosse chamado (a Marvel faz uma rotatividade de seus melhores autores entre seus melhores títulos, para arejar).

O que Aaron fez com o Deus do Trovão, mais do que abordar a mitologia que o criou, foi abordar sobre o que é fé, o que é ser um deus e qual a sua responsabilidade perante todo um povo. A história começa com uma oração a Thor, que atravessa o espaço para atendê-la. Após salvar um povo que estava prestes a se extinguir, graças à oração de uma garotinha, indagou aos mais velhos por que ela não o fez aos deuses daquele planeta. Espantou-se ao ouvir que aquele planeta não os tinha. 

Ao investigar, encontrou nos céus os corpos daqueles deuses pendurados, como vemos referenciado no longa, numa das telas de socorro dos Guardiões da Galáxia. São os falecidos deuses de Indigarr. E assim começa a narrativa. A origem e objetivos de Gorr são os mesmos abordados no filme, com leves modificações. A diferença é que o original também teve em peso a morte da mãe e da esposa, mas no filme fica subentendido que a filha não foi a sua única perda. O objetivo? Matar todos os deuses que existem: no pretérito, no presente e no futuro.

Após encerrar a melhor história de sua carreira, Aaron continuou no título por mais oito anos, e nesse meio tempo criou a Poderosa Thor de Jane Foster. Muito diferentemente do Cinema, inicialmente era um segredo até mesmo para os leitores a sua identidade secreta; e ao se transformar, Jane assumia lembranças milenares dos deuses asgardianos, e falava em idioma arcaico, assim como o Thor original.

Nos filmes isso nem seria possível, porque o próprio Thor não fala assim. A partir daí o grande vilão passou a ser Malekith (que, ao contrário do segundo longa do Thor, tem uma personalidade muito parecida com a do Coringa) e a sua Guerra dos Reinos. Aaron encerrou, porém, em uma história que se passa milênios no futuro, entre o Thor mais velho do que Odin jamais foi e um Gorr que ainda sobreviveu por todo esse tempo. Ao fim de tudo, o autor quis despedir-se com esse vilão.

E sobre o vilão, o maior trunfo de todos esses anos da passagem do autor pelo(s) Thor(s) foi sobre a mensagem de Gorr. Há uma passagem em que ele explicita todo o dilema do Deus do Trovão:

“Finalmente eu entendo você, pequeno deus. Sua versão mais velha, o rei… ele sempre foi nutrido pelo arrependimento. Acha que, se me matar, pode apagar a história de seu próprio fracasso. E sua versão mais jovem, o deus viking… vale-se de sua arrogância e ira para mascarar uma vergonha que mutila. Mas você… você eu jamais pude compreender… até agora. Você sabe que estou certo. Por isso luta tão arduamente… tenta tão desesperadamente aparentar ser nobre. Porque você percebe quão mesquinha e inútil é sua laia. Você sabe o que eu sei. Que os deuses jamais criaram coisa alguma ou se importaram com nada exceto eles mesmos. O deus que duvida. Heh. Mudei de ideia. Você é o meu Thor favorito”.

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Eles pensam que sou fraco porque indigno. Deixe-os.

Todo esse discurso é essencial para a criação da Poderosa Thor, porque nos quadrinhos o Thor nunca empunhou a Stormbreaker. Ele tinha o Mjolnir consigo. Quando ficava, era por pouco tempo, e mais por castigo de seu pai. No entanto, as palavras e ações de Gorr mexeram com o deus. Em outra saga, Thor e os Vingadores enfrentam Nick Fury. Quando este decide enfrentar Thor, simplesmente sussurra em seu ouvido “Gorr estava certo”. Instantaneamente, o malho caiu no chão, quase como uma referência ao ato maculino de broxar. Toda a insegurança que Thor guardava no seu inconsciente sobre as citadas palavras de Gorr vieram à tona no instante em que verbalizaram-se. 

Enquanto isso, Jane enfrentava bravamente um câncer avançado, e o martelo a chamou; entendeu que naquele momento ela, sim, era digna. A mortalidade é digna: ter que enfrentar problemas diariamente, ter medo da morte e da velhice, enfrentar tanta coisa em tão poucas décadas… No entanto, esse desenvolvimento grandioso da personagem paralelamente criou uma construção fantástica para o Thor original. Indigno, este passou anos sentindo o luto, até que vai superando aos poucos. Assim, resumo o arco desse Thor em três passagens:

  • “Houve um tempo em que minhas manhãs eram gastas em corridas de cometas. E ganhando. Eu voava de uma ponta a outra do cosmos, subindo tão perto das estrelas, que a minha capa ardia. Meus únicos compatriotas, o trovão em meus ouvidos… e o gélido e maciço pedaço de uru em minha mão. Mas eu não sou mais esse deus. Esse deus era digno” (The Unworthy Thor 1, 2017).
  • “Eles pensam que sou fraco porque indigno. Deixe-os. Eu ainda sou um deus, e mais do que um deus. Eu sou de sangue asgardiano. Filho de sangue de Odin. O senhor da tempestade e do trovão furioso. E eu serei amaldiçoado se eu precisar de um martelo para gerar algum inferno [no original, Hel, reino de Hela]” (The Unworthy Thor 3, 2017).
  • “Digno? Então, espero jamais me sentir digno novamente, enquanto viver. É apenas a dificuldade que conta. ‘Gorr tinha razão’. Mas saber disso é o que me torna forte. Não os martelos. Não o trovão. O que sou verdadeiramente, Malekith, agora e para todo o sempre… é o deus dos indignos”. Diz isso e em seguida ergue finalmente o Mjolnir (War of the Realms 6, 2019).

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Exposto tudo isso até aqui (para quem chegou até aqui), fica categoricamente explicitada a importância de todos os personagens e da trama do filme para mim, o quão pessoal é isso, e a bagagem que tenho que automaticamente complementa o que não está no filme. Porém, tratemos do longa em si. Conheci o trabalho de Taika Waititi com o próprio Thor, em Ragnarok, e também pela minha bagagem fiquei previamente apreensivo por juntarem em um único filme a saga Planeta Hulk, a de Surtur, ter a Hela como principal vilã (em vez de… Surtur), e responder as pontas soltas do final do filme anterior. Quando o primeiro trailer foi lançado, logo deixei todos esses pensamentos de lado, porque parecia tão… divertido. E, quando chegou a hora, no cinema, descobri que não só era realmente divertidíssimo, como o roteiro, somado à edição, sabia amarrar muito bem tudo isso.

A mesma preocupação, portanto, nunca tive quanto a Love and Thunder. Em outras palavras, esse filme já foi anunciado com as minhas expectativas o mais alto possível. Eu já sabia, pelos anúncios de que haveria a união entre o arco da Thor com o do Gorr (ou seja, um filme do Taika baseado totalmente em Jason Aaron), que, assim como o anterior, seria uma forma lúdica de contar algo muito mais detalhado, delicado e complexo, como são os quadrinhos. Mas havia dado certo com Ragnarok, correto? Da minha parte, apenas elevadas expectativas. Inclusive, após Endgame, eu sempre dizia que os únicos filmes que eu tinha empolgação prévia para ver eram o quarto Thor e o desfecho da trilogia dos Guardiões – ambos com dois de meus personagens favoritos dos quadrinhos: O deus do Trovão e Adam Warlock (o messias da Marvel), respectivamente.

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Deuses de Papel, Relâmpagos de Ilusão

E aí fica a questão: o lúdico está na mesma boa medida que o antecessor? E se está, conseguiu fazer jus às histórias desse outro autor? Desde o momento em que o primeiro trailer de Thor: Love and Thunder foi lançado, ficou claro que Taika Waititi retornaria para expandir o universo do Deus do Trovão em uma aventura igualmente cheia de humor, cor e energia desenfreada. No entanto, é justamente esse excesso que revela as fraquezas do filme, convertendo o potencial em um desequilíbrio narrativo. Com base nas críticas negativas que o longa recebeu, e mesmo apreciando os personagens e as influências dos quadrinhos, é necessário analisar as falhas que comprometem a experiência cinematográfica.

Uma das maiores críticas a Love and Thunder reside na tentativa de equilibrar dois tons radicalmente opostos: o humor absurdo e o drama existencial. De um lado, temos sequências que transformam o poderoso Thor em uma caricatura de si mesmo, como a insistência em piadas envolvendo o triângulo amoroso entre o herói, o Mjolnir e a Stormbreaker. Do outro, uma história potencialmente profunda que aborda perda, luto e o peso da mortalidade, representada pelas jornadas do Carniceiro dos Deuses e da Poderosa Thor. Esse conflito tonal cria um produto que nunca parece saber ao certo qual história quer contar, e disso resulta uma narrativa desconexa.

A interpretação de Christian Bale como Gorr é um dos pontos altos, com uma intensidade que captura a dor e a obsessão do personagem. Contudo, mesmo a sua interpretação é prejudicada por um roteiro que nunca permite que sua história seja explorada com profundidade. As motivações de Gorr, tão complexas e intrigantes nos quadrinhos de Aaron, são resumidas a uma série de cenas apressadas, impedindo que o vilão tenha o impacto emocional que merece. O resultado é um antagonista que poderia ser inesquecível, mas acaba diluído na pressa de equilibrar o tempo de tela com as excentricidades cômicas de Thor e Korg.

Jane Foster também sofre desse mal. Nos quadrinhos, a história da Poderosa Thor é um poderoso reflexo da luta contra o câncer e da dignidade humana em meio à adversidade. No filme, embora Natalie Portman entregue uma atuação comprometida, a sua narrativa é frequentemente interrompida pelo ritmo frenético e pela comédia incessante. Em vez de permitir que a dualidade de sua condição mortal e de seu heroísmo como a Thor seja desenvolvida com gravidade, o longa frequentemente a reduz a piadas e situações superficiais.

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Já Chris Hemsworth peca pela exagerada caricatura do personagem, especialmente se comparada às versões anteriores de Thor, que apresentavam um equilíbrio entre humor e dignidade. Aqui, o ator parece se entregar a um humor forçado e quase infantil. Enquanto em Thor: Ragnarok o tom cômico funcionava para trazer mais leveza ao personagem, sem deixar de lado a sua jornada pessoal (que, inclusive, abriu espaço para o seu arco em Guerra Infinita), em Love and Thunder ele perde qualquer nuance mais complexa. 

Outro ponto problemático é a estrutura desordenada do filme. A história parece se mover sem direção clara, com cenas que frequentemente se prolongam ou são interrompidas por gags que não acrescentam nada à narrativa. A utilização de elementos importantes dos quadrinhos – como a Necroespada e o Reino da Eternidade – é subaproveitada, o que frustra especialmente os fãs que esperavam um tratamento mais respeitoso a essas ideias. Essa superficialidade contrasta fortemente com a profundidade que Aaron trouxe em sua run nos quadrinhos, onde cada elemento era meticulosamente explorado.

O visual de Love and Thunder é, sem dúvida, vibrante e marcante, mas até mesmo isso pode se tornar cansativo. A paleta supersaturada e o design exagerado das cenas parecem priorizar o impacto visual sobre a coerência tonal, tornando difícil levar a sério os momentos dramaticamente carregados. Em uma história que deveria ser sobre amor, sacrifício e a própria natureza da divindade, o filme muitas vezes se perde em sua própria grandiosidade estética.

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No cerne do longa está uma história que tenta unir demasiados fios narrativos em um único longa-metragem. A tentativa de replicar a irreverência de Thor: Ragnarok não leva em consideração a gravidade emocional que deveria ser inerente a esse novo capítulo. Há um potencial claro nas mãos de Waititi, Portman e Bale, mas ele se perde em um filme que parece temer a ideia de dar um passo para trás e abraçar a sobriedade quando necessário. O resultado é um longa que, embora divertido em momentos isolados, não consegue atingir o coração de sua própria história.

Se Love and Thunder nos ensina algo, é que os deuses também podem falhar. E não há mal nenhum nisso, desde que aprendam com os erros. Mas, enquanto os deuses dos quadrinhos e das lendas encontram redenção em suas narrativas, o filme deixa a sensação de que, desta vez, faltou a centelha que faz do indigno mais uma digno.

Ainda assim, em seus últimos passos, o longa acerta em sua mensagem definitiva, que é entregue com a mesma beleza que a lição final de The Batman – lançado poucos meses antes – sobre o símbolo de esperança em lugar da vingança: mesmo com tudo o que já lhe aconteceu, está acontecendo, ou acontecerá; mantenha o coração aberto. A alma humana é um receptáculo infinito de dor e de amor. Permita que cada ferida seja um portal para novas possibilidades.

Veredito

3/5

“Thor: Amor e Trovão” é um desequilíbrio narrativo. O humor absurdo e o drama coexistem mal, resultando em uma caricatura do herói e em um Gorr diluído. Apesar do potencial, o longa falha em atingir o coração de sua própria história.
Revisitando Thor: Love and Thunder (2022) | Notas Dispersas de um Trovão Desafinado
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