Depois de décadas de adaptações cinematográficas que dividiram os fãs, a franquia de terror da Capcom está prestes a ganhar uma nova oportunidade nos cinemas. O novo Resident Evil retorna em 2026 com uma produção dirigida por Zach Cregger, responsável por Noites Brutais (Barbarian) e A Hora do Mal (Weapons), em uma proposta que promete abandonar parte da fórmula de ação das versões anteriores para recuperar a tensão do survival horror.
O novo filme não adapta diretamente a história de Leon Kennedy, Jill Valentine ou qualquer outro protagonista conhecido dos videogames. Em vez disso, Cregger criou uma narrativa original ambientada no universo da franquia, acompanhando um personagem comum durante uma noite de caos em Raccoon City. A ideia é fazer o público sentir algo próximo da experiência de estar dentro de um jogo, com poucos recursos, munição limitada e ameaças surgindo a qualquer momento.
Quando Resident Evil chega aos cinemas?
A estreia do novo Resident Evil está marcada para 18 de setembro de 2026 nos Estados Unidos, com lançamento nos cinemas pela Columbia Pictures. A produção também foi concebida para exibição em IMAX, reforçando a aposta em uma experiência cinematográfica de grande escala para uma história que pretende preservar a sensação claustrofóbica dos jogos. No Brasil, a Sony Pictures Brasil vem promovendo o filme e divulgou a participação de Zach Cregger e Austin Abrams na campanha de lançamento.
O lançamento acontece justamente no ano em que a franquia completa 30 anos. O primeiro jogo chegou ao PlayStation em 1996 e ajudou a estabelecer as bases do survival horror moderno. Desde então, a série se transformou em um fenômeno multimídia, com dezenas de jogos, animações, séries e filmes, incluindo a longa saga protagonizada por Milla Jovovich e o reboot Resident Evil: Bem-Vindo a Raccoon City, de 2021.
Qual será a história do novo filme?
A trama do novo Resident Evil acompanha Bryan, interpretado por Austin Abrams, um mensageiro médico que precisa realizar uma entrega em Raccoon City justamente quando a cidade mergulha em um surto de zumbis. O protagonista não é um agente treinado nem um especialista em combate: ele é uma pessoa comum tentando atravessar uma cidade tomada pelo caos enquanto uma noite aparentemente normal se transforma em uma luta desesperada pela sobrevivência.
Embora a história tenha relação temporal com os acontecimentos de Resident Evil 2, o filme não pretende recontar o jogo. Cregger explicou que a narrativa se passa em 2026 e toma diversas liberdades para construir uma experiência própria, usando elementos de diferentes jogos como inspiração. Entre as referências estão Resident Evil 2, Resident Evil 4 e Resident Evil 7, mas a intenção é reproduzir principalmente a atmosfera, a exploração e a sensação de vulnerabilidade característica da série.
Quem está no elenco de Resident Evil?
Austin Abrams interpreta Bryan e ocupa o papel central da produção. O ator já havia trabalhado com Cregger em A Hora do Mal, e seu retorno sugere uma relação de confiança entre diretor e protagonista. O elenco também conta com Paul Walter Hauser, Zach Cherry, Kali Reis e Johnno Wilson, embora muitos detalhes sobre os personagens ainda tenham sido mantidos em sigilo.
A ausência dos protagonistas clássicos dos videogames é uma das escolhas mais comentadas do novo Resident Evil. Leon Kennedy, Jill Valentine, Chris Redfield e Claire Redfield não são os personagens centrais da história, algo que Cregger defende justamente por não querer modificar figuras que já possuem histórias estabelecidas nos jogos. Em vez de transportar personagens conhecidos para uma trama inédita, o diretor preferiu criar uma nova perspectiva dentro daquele mesmo universo.
Quem dirige e escreve o novo Resident Evil?
Zach Cregger dirige e divide o roteiro com Shay Hatten, conhecido por trabalhos como John Wick 3, John Wick 4 e Bailarina. Cregger ganhou destaque no terror com Noites Brutais e consolidou sua reputação com A Hora do Mal, características que ajudam a explicar por que sua contratação despertou tanta expectativa entre os fãs da franquia.
O novo Resident Evil reúne Constantin Film, PlayStation Productions e Vertigo Entertainment, com distribuição da Columbia Pictures. Mais do que simplesmente produzir outra adaptação de videogame, o projeto representa uma tentativa de reposicionar a série no cinema, aproximando-a novamente do horror e da tensão que fizeram os jogos originais se tornarem referência no gênero.
O filme será fiel aos videogames?
Essa talvez seja a principal pergunta envolvendo o projeto, e a resposta parece ser diferente do que muitos fãs esperavam. O novo Resident Evil não será uma adaptação literal de nenhum jogo específico, mas Cregger afirma ter tratado os videogames como a principal referência para construir a experiência do filme. O diretor é fã declarado da franquia e quer que o público reconheça elementos que pertencem ao DNA da série, mesmo quando a história e os personagens são novos.
Uma das preocupações centrais está na administração de recursos. Cregger revelou que pretende fazer o espectador perceber a quantidade de munição disponível para Bryan e acompanhar sua condição física ao longo da história, reproduzindo uma das tensões fundamentais dos jogos: cada tiro desperdiçado pode fazer diferença alguns minutos depois. A intenção é transformar o público em uma espécie de jogador, fazendo com que cada decisão do protagonista tenha peso.
O que esperar do novo Resident Evil?
O grande diferencial do novo Resident Evil está justamente na tentativa de transformar a linguagem dos videogames em uma experiência de horror cinematográfico. Em vez de apresentar um protagonista invencível atravessando hordas de monstros com armas cada vez maiores, Cregger parece interessado em colocar uma pessoa vulnerável diante de uma situação que ela não tem capacidade de controlar. O medo nasce menos do poder dos monstros do que da consciência de que Bryan pode simplesmente não conseguir sobreviver.
Os trailers já indicam uma Raccoon City tomada por neve, zumbis e criaturas grotescas, enquanto o protagonista percorre ruas, prédios e espaços subterrâneos em busca de uma saída. A produção também promete violência gráfica e uma atmosfera mais próxima do survival horror do que da ação tradicional. Se Cregger conseguir equilibrar sua identidade como cineasta com os elementos que tornaram os jogos tão marcantes, o novo filme pode finalmente encontrar uma maneira de fazer o público sentir, na sala de cinema, aquela velha sensação de entrar em um corredor escuro sem saber o que está esperando do outro lado.
