Crítica | Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor 

Porque alguns feitiços foram feitos para serem quebrados (e outros, para serem abraçados).

Crítica | Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor  - setembro 12, 2026 Curiosidades 1
Fonte/Reprodução: Warner Bros. Pictures

Sabe aquela sensação de chegar em casa depois de um longo dia e sentir o cheiro de um bolo de cenoura com cobertura de chocolate recém-saído do forno? Sabe, aquela memória que aperta o peito e faz os nossos olhos ficarem marejados? Ou aquele cheiro de incenso dessas lojas de produtos religiosos, mas que nos traz uma paz absurda? 

Se você entendeu essas analogias, vai entender exatamente o que Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor faz com a gente. Essa continuação é um abraço quentinho em forma de filme. 

Vinte e oito anos depois, quase três décadas esperando por isso. E, quando finalmente o filme Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor chega, a sequência não quer contar apenas uma história nova — ela quer nos lembrar que algumas famílias são feitas de laços invisíveis, porém fortes. Meu Sangue, Seu Sangue, Nosso Sangue

Que o amor, mesmo quando parece impossível, sempre dá um jeito de encontrar o seu caminho. E que a magia — aquela, de verdade, que vive em todas nós — nunca foi somente sobre varinhas e poções, mas sim sobre a coragem de ser quem realmente você é.

Se você, assim como eu, cresceu assistindo “Sessão da Tarde” ou “Supercine”, então você cresceu assistindo Sally (Sandra Bullock) tropeçar em suas próprias palavras, enquanto Gillian (Nicole Kidman) dançava ao som de “Coconut” na cozinha, eu te peço uma coisa: Se prepare. 

O filme Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor, que estreia agora, dia 10 de setembro, não veio para brincar de fazer feitiço. Ele veio definitivamente para partir os nossos corações em pedacinhos e reconstruí-los com cola, glitter e algumas margaritas da minha noite.

Quando a maldição parece ser mais forte que o amor

Logo no primeiro filme Da Magia à Sedução, aprendemos que as mulheres Owens são amaldiçoadas: qualquer homem que amarem está condenado à morte. Sally e Gillian fizeram um ritual para tentar quebrar essa maldição que, até então, parecia que haviam conseguido. Mas em Feitiço de Amor nos é revelado que algumas correntes não se rompem apenas com um simples feitiço. 

O filme começa com Sally viúva. Ela perdeu o grande amor de sua vida, e o medo de ver suas filhas passarem pela mesma dor é tão forte que ela toma uma decisão desesperada: arrancar a própria magia de si e de suas filhas. E sim, é exatamente isso: ela literalmente apaga a memória delas sobre quem realmente são. 

Mentiras não conseguem ficar enterradas por muito tempo”, sussurra Gillian, e, a gente sente que vai vir bomba por aí, até porque — assim como todas nós sabemos — a verdade sempre encontra um jeito de voltar. 

E, para o desespero de todos naquela sala de cinema, ela, a verdade, volta e volta com tudo. Isso acontece quando o namorado de Kylie (Joey King) sofre um acidente terrível, e ela descobre que há algo muito errado com a sua família. Que há alguns segredos enterrados no jardim. Que a sua mãe não é uma mãe comum, e sim uma bruxa que escolheu apagar a própria luz para proteger quem ama. 

Essa descoberta de Kylie a leva para o Reino Unido, em busca do Livro dos Corvos, um grimório altamente perigoso que pode ser a chave para quebrar a temida maldição das Owens de uma vez por todas. Mas claro, toda escolha tem o seu preço. E salvar o homem que você ama pode significar perder tudo o que você é. 

A família que escolhemos no caminho

Se tem uma coisa que Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor faz com maestria melhor do que qualquer outro filme, é mostrar que a família não é sobre sangue – é sobre quem fica. E quem fica, nesse caso, são as mulheres Owens. 

Sally e Gillian ainda são o coração de toda a história. Sandra Bullock e Nicole Kidman, depois de quase 30 anos, ainda têm aquela química que parece fácil demais, bonita demais, gostosa demais. 

A dinâmica das irmãs que são completamente opostas – uma engasga com as próprias palavras e com a própria vida, a outra não cala a boca e vive como se não houvesse amanhã – ainda funciona perfeitamente. E quando elas compartilham uma cena juntas, é como se o tempo nunca tivesse ousado parar. 1998 e 2026 se encontrando em uma cafeteria temática para tomar um café e contar como foi o dia. 

Uma excelente novidade que rouba a cena é Joey King. Sim, olhei e gritei “ATRIZ”. Ela segura o peso emocional do filme inteiro, do começo ao fim, e faz parecer algo leve. Kylie não é nem de longe parecida com a sua mãe Sally ou uma versão adolescente dela – ela tem suas próprias dores, suas próprias dúvidas, sua própria raiva e, claro, sua própria magia. 

E Joey King consegue transmitir isso tudo com uma certa intensidade que faz a gente querer protegê-la ao mesmo tempo em que queremos sacudi-la, dizer “Mulher, pare” para que ela enxergue a verdade. 

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor
Fonte/Reprodução: Warner Bros. Pictures

No outro ponto dessa régua há Antonia, interpretada por Maisie Williams (Arya Stark de Game of Thrones), que, infelizmente, fica de fora da maior parte da história. A sua personagem tem muito potencial, mas o roteiro simplesmente esqueceu dela e não deu a ela o espaço que merecia. Uma das decepções reais desse filme. 

E calma, jamais vamos esquecê-las: as tias Jet (Dianne Wiest) e Franny (Stockard Channing). Se você não derramou uma lágrima com elas no primeiro filme, se eu fosse você, eu levaria um lençinho para o cinema, pois você vai precisar se quiser assistir ao filme até o final. 

Nessa sequência, elas trazem um ponto diferente: uma sabedoria que só o tempo e a dor podem nos ensinar. E quando elas olham para as sobrinhas com aquele misto de orgulho e preocupação, é impossível não sentir o coração apertar. 

De volta à Magia

O primeiro filme tinha uma magia mais caseira – ervas, velas, um jardim que crescia sozinho. Já em Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor, a magia é expandida de uma forma limpa e linda. A magia agora é mais visual, ousada, quase tangível. No final, O Livro dos Corvos não é somente um objeto, é um personagem. Você sente a importância e os problemas que ele carrega assim que aparece na tela. 

As paisagens são um caso à parte. A fotografia de Simon Duggan (O Grande Gatsby) transforma praticamente cada cena em um quadro. Castelos, florestas, céus nublados – tudo isso contribui para a atmosfera de contos de bruxas que o filme deseja criar.

Pra mim, a cereja do bolo é a trilha sonora. Stevie Nicks está completamente de volta, como, é claro, não poderia deixar de ser. Suas músicas são praticamente as músicas do filme. 

E claro, como não poderia ser de outra forma, a novidade que nos pega de surpresa é a parceria de Nicks com Olivia Rodrigo. Sim, é isso mesmo, uma das princesinhas do pop melodramático entregou uma canção original que vocês com certeza vão amar — e procurar no Shazam. A trilha sonora é digna de ser ouvida no repeat por semanas.

O que define “Inquebrável”

Se o primeiro filme era sobre encontrar o amor, esse é, com certeza, sobre não fugir de quem você é. Sally passa o filme inteiro praticamente tentando proteger as suas filhas da única coisa que poderia realmente salvá-las: a sua verdade, a sua magia. E é só quando ela finalmente para de correr de quem ela é que ela encontra enfim a sua liberdade. 

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor
Fonte/Reprodução: Warner Bros. Pictures

A frase que ecoa não somente no filme, mas para todas nós é “Inquebrável”. Não é sobre ser forte o tempo todo, mas sim quebrar e ainda assim continuar. É sobre cair e levantar. É sobre escolher, apesar de todo o medo, insegurança, desconforto do novo, abraçar a sua herança. 

O filme nos questiona: o que você faria se o amor fosse uma sentença de morte? E se a única saída fosse aceitar a sua magia a que você mesma passou a vida inteira se negando? Obviamente, a resposta não é simples, mas é bonita. E, no fim das contas, é só isso que importa. 

Veredito

Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor não é um filme perfeito. Maisie Williams merecia mais e o terceiro ato parece correr para terminar a história. Mas, de verdade? Isso não importa. Porque no momento em que Sally e Gillian se abraçam, quando Kylie finalmente entende que ser uma Owens não é um fardo e sim um privilégio, você esquece todos os pequenos defeitos. 

É um filme que acolhe, que abraça, que lembra que algumas histórias merecem ser contadas de novo – não para serem diferentes, mas para serem sentidas de novo, e de novo, e de novo.

Nota 4.5/5 ⭐⭐⭐⭐

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Da Magia à Sedução: Feitiço de Amor
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