Crítica | Lanterns (Segunda Metade)

Há algo de particularmente corajoso na maneira como Lanternas passou sua primeira temporada recusando quase tudo aquilo que parecia obrigatório em uma série sobre os Lanternas Verdes. Os anéis estão lá, assim como os construtos, os Guardiões, Oa e toda a mitologia cósmica que acompanha os personagens há décadas nos quadrinhos. Mas, chegando à segunda metade da temporada, fica cada vez mais evidente que Damon Lindelof, Chris Mundy e Tom King nunca estiveram particularmente interessados em descobrir quão grandiosa poderia ser uma série sobre policiais espaciais. A pergunta que parece movê-los é outra: o que acontece com um homem quando lhe entregam poder suficiente para transformar sua vontade em matéria?

É nessa pergunta que os episódios 5 e 6 encontram alguns dos melhores momentos de Lanternas. O que começou como um policial de cidade pequena contaminado aos poucos pela ficção científica finalmente abandona qualquer possibilidade de compartimentalização entre esses gêneros. O mistério, o drama familiar, o western moderno, a ficção científica e a história de super-heróis passam a ser diferentes maneiras de investigar os mesmos homens. E, quando a série faz isso, encontra uma identidade que não se parece muito com qualquer outra produção recente do gênero.

Quando a luz deixa consequências

“Lights Out”, quinto episódio da temporada, é a explosão que torna essa transformação possível. Dirigido por Geeta Vasant Patel e escrito por Justin Britt-Gibson, o capítulo encerra violentamente a história de Rushville em 2016 e praticamente funciona como um finale antecipado: a cidade é devastada, Zoe/Manhunter é finalmente confrontada, John recebe aquilo que passou tanto tempo desejando e Hal precisa escolher até onde está disposto a ir para continuar sendo um Lanterna.

Quando a luz deixa consequências
Fonte/Reprodução: HBO

É também onde Lanternas demonstra que seu interesse pelo espetáculo sempre esteve subordinado às consequências dele. A ação funciona porque não representa uma interrupção da história para que personagens com superpoderes finalmente possam trocar golpes. Ela é a conclusão física das decisões tomadas por Hal e John. A destruição de Rushville não existe apenas como cenário: ela permanece depois que a luz verde desaparece.

Talvez nenhum momento sintetize isso tão bem quanto John finalmente conseguir o anel e, quase imediatamente, descobrir que não o quer.

Em outra série, receber o símbolo seria a coroação do protagonista. Aqui, é sua desilusão. John passa boa parte da temporada olhando para Hal como aquilo que gostaria de se tornar até perceber que o poder que admirava também deformou o homem que o carregava. Depois de ver Rushville destruída e compreender o preço daquilo tudo, devolver o anel não representa covardia. Representa a primeira escolha verdadeiramente autônoma do personagem. A própria construção do episódio transforma aquilo que deveria ser uma ascensão heroica em uma recusa.

Dois homens por trás dos anéis

Aaron Pierre faz dessa transformação algo muito mais interessante do que uma simples mudança de opinião. Seu John Stewart é fisicamente imponente, mas Pierre frequentemente trabalha o personagem na direção contrária dessa presença: mandíbula rígida, silêncios prolongados, irritação transformada em mecanismo de defesa. John parece passar a temporada inteira tentando controlar o próprio corpo porque sabe muito bem o que pode acontecer quando perde esse controle. É uma atuação que entende que força e segurança não são sinônimos.

Dois homens por trás dos anéis
Fonte/Reprodução: HBO

Kyle Chandler realiza movimento semelhante com Hal Jordan. Seu Hal poderia facilmente cair no arquétipo do veterano arrogante que precisa aprender a confiar no sucessor. Chandler, porém, introduz algo mais desagradável e, consequentemente, mais humano. Existe cansaço em Hal, mas existe também ressentimento. Existe heroísmo, mas também ego. A experiência lhe deu sabedoria suficiente para compreender o tamanho de suas responsabilidades e, paradoxalmente, tempo suficiente para desenvolver maneiras extremamente sofisticadas de justificar os próprios erros.

Dez anos depois, o que restou?

O sexto episódio, “Bad Optics”, dirigido por Stephen Williams, toma então uma decisão excelente: depois de destruir Rushville, Lanternas não procura uma explosão maior. Avança dez anos e pergunta o que restou.

John agora é arquiteto. E talvez seja uma das melhores escolhas simbólicas da temporada que um homem que um dia desejou proteger o mundo com um anel passe a vida projetando estruturas capazes de proteger pessoas das consequências de seres superpoderosos. Ele constrói abrigos. Literalmente. Depois de descobrir que não poderia ser o homem que imaginava, transformou sua necessidade de proteção em concreto, aço e cálculo.

Hal tomou o caminho inverso. Passou uma década preso e retorna a Rushville para viver entre pessoas que têm todos os motivos para odiá-lo. Não há redenção instantânea, música triunfal ou absolvição coletiva. Existe um homem tentando encontrar alguma utilidade depois de ter perdido aquilo que definia sua identidade.

É nesse contexto que a relação entre Hal e John alcança sua melhor forma. Eles não são mestre e aprendiz, tampouco dois parceiros espirituosos construídos para trocar provocações enquanto salvam o mundo. São dois homens ligados pelo pior acontecimento de suas vidas e incapazes de decidir exatamente quanto daquele desastre pertence ao outro.

O reencontro no restaurante funciona justamente porque Chandler e Pierre não tentam resolver essa história através das palavras. Ressentimento, culpa e até alguma forma deformada de afeto existem nas pausas, nos olhares e na agressividade que os dois usam para impedir qualquer possibilidade de vulnerabilidade. Quando John finalmente soca Hal, o gesto parece menos uma explosão repentina do que dez anos comprimidos em alguns segundos.

Horas depois, Hal está morto. E Lanternas finalmente retorna à imagem que encerrou sua estreia.

A estrutura é particularmente eficiente porque modifica retrospectivamente o mistério. No primeiro episódio, investigar a morte de Hal Jordan significava descobrir quem o matou. Depois de cinco horas convivendo com ele, a pergunta adquire outra dimensão. Agora conhecemos o cadáver.

Dez anos depois, o que restou?
Fonte/Reprodução: HBO

“Bad Optics” também demonstra a confiança da série em desacelerar. O episódio funciona quase como uma segunda estreia, reposicionando personagens, apresentando as consequências da década perdida e incorporando elementos mais explícitos do DCU — inclusive Guy Gardner — sem permitir que essas conexões engulam a narrativa. Nathan Fillion entra em uma série deliberadamente melancólica carregando uma energia completamente diferente, e o contraste funciona justamente porque Lanternas não tenta transformar Guy em protagonista da história que ele invade.

Até aqui, desacelerar é uma virtude. Depois da intensidade do quinto episódio e diante de uma narrativa construída sobre saltos temporais, investigação e consequências, Lanternas precisa desse intervalo. “Bad Optics” não interrompe a progressão: redefine o que está em jogo.

O problema começa quando o intervalo não termina.

Quem era Hal Jordan?

No sétimo episódio, a verdadeira natureza dessa investigação se torna explícita.

“In Blackest Night”, escrito por Damon Lindelof e Tom King e dirigido por Alik Sakharov, parece finalmente compreender que a pergunta mais interessante nunca foi “quem matou Hal Jordan?”, mas “quem era Hal Jordan?”. A infância, Martin Jordan, o beisebol, o medo e a relação quase patológica daquela família com a vulnerabilidade desmontam progressivamente a imagem do homem que passou a vida dizendo não sentir medo.

A ideia do Hal preservado no anel poderia facilmente resultar em um artifício barato para manter Kyle Chandler na série depois da morte do personagem. O roteiro encontra algo melhor. Aquele Hal não é simplesmente um fantasma digital. É uma versão incompleta do homem morto, uma possibilidade preservada antes que anos de escolhas, ressentimentos e fracassos terminassem de transformá-lo.

Isso permite a Chandler interpretar Hal Jordan contra Hal Jordan.

E permite que Kelly Macdonald entregue alguns dos momentos mais delicados da temporada quando Kerry se vê diante daquela versão impossível de alguém que perdeu. A cena funciona menos pela tecnologia que a torna possível do que pelo desconforto entre os dois. O fantástico entra no quadro, mas a direção de Sakharov mantém a câmera interessada nos rostos. É exatamente esse equilíbrio que Lanternas vem perseguindo desde o início: o cósmico existe, mas importa porque alguma coisa profundamente humana está acontecendo diante dele.

Kelly Macdonald
Fonte/Reprodução: HBO

A viagem de John e do Hal preservado pelo anel para o planeta devastado pelos Manhunters expande novamente a escala da série sem abandonar essa lógica. A descoberta da vala comum e do efeito do medo transforma o planeta em algo simultaneamente alienígena e psicológico. O espaço exterior deixa de ser apenas território e passa a funcionar como extensão das feridas que os personagens carregam.

O homem que não conhecia o medo

Há uma ironia particularmente cruel nisso. O poder dos Lanternas é baseado na vontade, e sua mitologia sempre esteve intimamente ligada à capacidade de superar o medo. Lanternas escolhe então construir seu Hal Jordan como um homem que talvez nunca tenha deixado de sentir medo. Apenas ficou extraordinariamente bom em transformá-lo em outra coisa.

Arrogância. Humor. Autoridade. Raiva.

A revelação sobre Martin Jordan reorganiza parte dessa personalidade. O pai cuja morte ajudou a criar a mitologia pessoal de Hal pode ter carregado um desespero que o filho jamais compreendeu. A série transforma assim uma das características mais tradicionais do personagem — o homem que não conhece o medo — em algo muito mais trágico. Talvez Hal conheça o medo intimamente. Talvez toda a persona exista justamente para mantê-lo escondido.

Quem era Hal Jordan?
Fonte/Reprodução: HBO

É aqui também que Lanternas demonstra como sua música pode trabalhar como extensão da dramaturgia, ainda que eventualmente flerte com o excesso. “Father to Son”, do Queen, praticamente verbaliza o eixo temático do episódio. É uma escolha pouco sutil, mas coerente com um capítulo inteiro construído ao redor daquilo que pais deixam nos filhos — voluntariamente ou não.

O problema do penúltimo episódio

O episódio 7, contudo, expõe pela primeira vez um problema considerável de ritmo na segunda metade.

Não porque aquilo que desenvolve seja irrelevante. Pelo contrário: provavelmente contém algumas das informações mais importantes para compreender Hal Jordan. O problema está na relação entre duração e progressão. “In Blackest Night” dedica muito tempo a aprofundar relativamente poucos movimentos narrativos e, ocupando a posição de penúltimo episódio, transfere uma quantidade preocupante de responsabilidades para o finale.

O problema do penúltimo episódio
Fonte/Reprodução: HBO

John viaja a outro planeta, confronta novamente seus medos e sua relação com a figura paterna, enquanto o mistério principal avança pouco. É um episódio de interioridade colocado exatamente no ponto em que a temporada deveria começar a converter interioridade em resolução. Então surge Sinestro, e o gancho promete que a longa contenção finalmente encontrará sua recompensa.

A questão, naquele momento, era se essa seria uma escolha estrutural calculada. Se o oitavo capítulo recolhesse todas as linhas sem atropelá-las, a lentidão do sétimo poderia retrospectivamente parecer necessária: o silêncio antes da resolução.

Não parece.

O finale transforma o problema do sétimo episódio em problema da temporada.

Um mistério que chega à resposta sem surpreender

“Dirt and Stars” tem uma tarefa ingrata porque recebe praticamente todas as dívidas acumuladas pelo capítulo anterior. Precisa solucionar o assassinato de Hal, explicar Noah, reinserir Sinestro, resolver Kerry, concluir o Hal preservado pelo anel, definir a posição de John diante dos Guardiões e, finalmente, completar a transformação de John Stewart em Lanterna Verde.

O episódio responde a quase tudo. Responder, entretanto, não é necessariamente entregar.

O assassinato de Hal é o exemplo mais evidente. A revelação de que Kerry foi responsável por sua morte fecha o mistério que sustentou a temporada, mas dificilmente produz o impacto que deveria acompanhar a resposta para sua pergunta central. A narrativa ainda brinca com a possibilidade de Noah ser o responsável antes de revelar a verdade, mas, naquele estágio, o círculo de suspeitos já havia se reduzido tanto que restavam poucas alternativas plausíveis. Era Noah ou Kerry. Fazer o primeiro assumir a culpa para depois deslocá-la para a segunda produz uma inversão, não uma verdadeira reviravolta.

Um mistério que chega à resposta sem surpreender
Fonte/Reprodução: HBO

Algo semelhante acontece com Noah. A confirmação de que ele é um Manhunter organiza diversas peças da história, mas chega menos como revelação do que como validação de uma suspeita que a própria série tornou progressivamente difícil de ignorar.

O problema não é exigir que todo mistério termine em um choque impossível de antecipar. Uma boa revelação pode ser previsível e ainda assim devastadora quando reorganiza emocionalmente tudo o que veio antes. O problema de “Dirt and Stars” é que suas principais respostas parecem confirmar possibilidades que a narrativa já havia deixado evidentes, quando sete episódios de investigação haviam criado a expectativa de que existisse algo mais perturbador sob a superfície.

Sinestro chega tarde demais

É com Sinestro, porém, que o problema de construção se torna mais evidente.

Não porque Lanternas tivesse obrigação de transformar o arqui-inimigo dos Lanternas Verdes no antagonista principal de sua primeira temporada. A decisão de mantê-lo periférico é perfeitamente compatível com uma história concentrada em Hal, John e na Terra. Sinestro poderia existir apenas como sombra do passado, uma presença destinada a crescer posteriormente.

O problema aparece quando “Dirt and Stars” decide atribuir a essa presença periférica uma função essencial na resolução de John Stewart.

Sinestro chega tarde demais
Fonte/Reprodução: HBO

A lanterna que permite a John estabelecer uma relação própria com o poder, fora da ortodoxia dos Guardiões, está ligada diretamente a Sinestro. Subitamente, um personagem que a série desenvolveu muito pouco ocupa posição fundamental na conclusão temática do protagonista.

É uma desproporção de dramaturgia. Quanto maior a importância de uma peça na resolução, maior precisa ser o investimento narrativo que a antecede.

Se Sinestro fosse apenas uma provocação para o futuro, sua escassez poderia funcionar como mistério. Mas, se suas ações são determinantes para aquilo que John se torna no presente, Lanternas precisava ter permitido que conhecêssemos melhor esse homem: sua relação com Hal, sua ruptura com os Guardiões, suas convicções, sua história e, principalmente, as razões pelas quais aquilo que ele criou deveria carregar tanto significado.

O ator retorna no momento em que a narrativa mais precisa dele, mas a série não fez o trabalho necessário para que sua presença carregasse o peso que o roteiro lhe atribui.

Não falta apenas Sinestro. Falta contexto.

John Stewart encontra seu caminho — e a série termina

Curiosamente, é dentro de um finale problemático que Lanternas encontra uma das melhores ideias para John Stewart.

Sua decisão de não reduzir Noah e Kerry às categorias simples de culpado e inocente completa o processo iniciado quando John devolveu o anel. Ele não quer reproduzir a maneira dos Guardiões de enxergar o universo. Depois de uma temporada inteira convivendo com pessoas destruídas por medo, culpa, poder e decisões tomadas sob circunstâncias impossíveis, John escolhe julgamento sem absolutismo.

Sua relação com Ruby reforça essa transformação, assim como a maneira pela qual passa a aceitar o papel de Lanterna sem aceitar integralmente a instituição que o acompanha.

John Stewart encontra seu caminho — e a série termina
Fonte/Reprodução: HBO

É uma ótima resolução conceitual. A lanterna é própria. O juramento é próprio. Os termos são próprios. John Stewart finalmente deixa de tentar ser Hal Jordan.

Aaron Pierre conduz essa transformação com a mesma contenção que definiu sua atuação durante toda a temporada. Quando John finalmente aceita aquilo que passou tanto tempo desejando e depois rejeitando, não existe a sensação de que recebeu uma promoção. Existe a sensação de que compreendeu quem quer ser.

Então ele voa… e Lanternas termina.

É precisamente aí que a decisão conceitualmente interessante encontra uma execução anticlimática.

Depois de oito episódios acompanhando John tentar compreender o que significa ser um Lanterna Verde, a série encerra praticamente no instante em que ele finalmente se torna um. Não precisava abandonar sua identidade para entregar uma batalha colossal, um uniforme espalhafatoso ou vinte minutos de efeitos visuais. Mas precisava permitir que sua transformação existisse dramaticamente.

Ver John escolher como se apresenta como Lanterna. Ver alguma manifestação mais concreta de sua nova relação com o anel. Ver o personagem fazer, ainda que uma única vez, aquilo que somente esse novo John Stewart faria.

Alguma forma de recompensa audiovisual para um arco construído durante toda a temporada.

Em vez disso, Lanternas oferece a promessa da recompensa.

A distinção parece pequena, mas é justamente dela que nasce a sensação de anticlímax. O espectador não esperou oito episódios simplesmente para saber que John Stewart poderia se tornar Lanterna Verde. Desde o princípio sabemos quem John Stewart é. A questão era descobrir como este John se tornaria aquele herói.

Quando finalmente encontramos a resposta, os créditos começam.

Uma excelente série que não encontra um finale à sua altura

Isso torna particularmente frustrante avaliar a segunda metade de Lanternas, porque seus problemas finais não apagam o que veio antes.

O quinto episódio é extraordinário justamente porque faz aquilo que os últimos capítulos não conseguem repetir: converte preparação em consequência. Tudo aquilo que a série havia acumulado explode em Rushville, e espetáculo, personagem e narrativa avançam simultaneamente.

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Fonte/Reprodução: HBO

O sexto demonstra que desacelerar não significa perder ritmo. Depois da explosão, existe valor em caminhar pelos destroços. O salto temporal, John como arquiteto, Hal depois da prisão e o reencontro dos dois justificam cada minuto de contenção porque modificam profundamente o tabuleiro.

É por isso que os episódios 7 e 8 incomodam mais.

Não porque sejam desprovidos de boas ideias. Há excelentes ideias nos dois. O estudo de Hal no sétimo é rico; a conclusão moral de John no oitavo é coerente; Aaron Pierre e Kyle Chandler permanecem excelentes; e a série continua visualmente comprometida com aquela mistura incomum de western, policial, ficção científica e drama humano que estabeleceu sua personalidade desde a estreia.

O problema é que uma temporada também é uma promessa de progressão.

Lanternas passou seus primeiros episódios construindo mistérios com enorme segurança. O primeiro prende imediatamente. O segundo amplia as perguntas. O terceiro e o quarto continuam apertando o nó. O quinto explode. O sexto olha para as consequências dessa explosão e encontra nelas outra história.

Então, quando deveria começar sua última escalada, a série continua descendo a velocidade. O sétimo posterga e o oitavo responde; mas responder não é a mesma coisa que recompensar.

Uma série de super-heróis interessada no aspecto humano

Nada disso desfaz a principal qualidade de Lanternas. A série encontrou uma maneira de incorporar a linguagem do policial, do western e da ficção científica sem simplesmente vestir uma história convencional de super-heróis com a estética desses gêneros. Rushville não é apenas uma Gotham rural. A investigação não é apenas uma desculpa para adiar batalhas. E os poderes raramente existem apenas para garantir alguns minutos de espetáculo.

Tudo retorna aos personagens.

Até visualmente, a produção permanece mais interessada na pequenez deles do que na grandeza de seus poderes. Estradas, campos, restaurantes, quartos e paisagens vazias fazem os Lanternas parecerem estranhamente vulneráveis. É uma escolha importante para personagens capazes de materializar praticamente qualquer coisa através da vontade: retirar deles a iconografia da onipotência e colocá-los em lugares onde continuam sendo apenas pessoas.

Uma série de super-heróis interessada no aspecto humano
Fonte/Reprodução: HBO

Talvez por isso a relação entre Hal Jordan e John Stewart permaneça o verdadeiro coração da temporada. Um homem passou décadas acreditando que precisava do anel. O outro passou anos acreditando que o merecia. John só consegue realmente tornar-se Lanterna depois de compreender que não precisa ser Hal, não precisa obedecer aos Guardiões como Hal obedeceu e sequer precisa repetir o juramento daqueles que vieram antes.

Essa é uma abordagem surpreendentemente madura para uma propriedade que poderia ter escolhido o caminho mais óbvio. Lanternas nunca parece envergonhada de ser uma história em quadrinhos — há alienígenas, anéis, policiais espaciais, hologramas, planetas mortos, Manhunters e homens capazes de transformar vontade em matéria. Sua maior virtude está justamente em não confundir maturidade com rejeição desse absurdo.

Por isso é difícil considerar “Dirt and Stars” um desastre. Ele entende John Stewart. Entende onde seu protagonista precisa chegar. Entende o homem que existe por trás do símbolo.

O que não entende completamente é o prazer dramático de vê-lo chegar lá.

Talvez essa seja a contradição perfeita para definir a reta final de Lanternas: uma série que passou quase toda a temporada sabendo exatamente quando conter seus super-heróis termina contendo-os justamente quando finalmente precisava deixá-los voar.

NOTA: 3/5

Crítica Lanterns (Segunda Metade)
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