“Fahrenheit 451” originalmente é um romance distópico de ficção científica soft, escrito por Ray Bradbury e publicado no ano de 1953. No entanto, somente em 2018 a obra ganhou uma adaptação para as telas, contando com grandes nomes no elenco.
Entre os astros presentes no filme estão Michael B. Jordan, Michael Shannon e Sofia Boutella. E é claro que, tratando-se de um dos livros mais importantes de distopia fantástica, o elenco também tem que ser fantástico.
Fahrenheit 451 (2018): uma releitura moderna do clássico de Ray Bradbury
A adaptação de “Fahrenheit 451” de 2018, produzida pela HBO, se esforça para trazer uma nova perspectiva para a distopia clássica de Ray Bradbury. Dirigido por Ramin Bahrani, o filme busca atualizar a mensagem atemporal do livro para tempos atuais. Entre os principais aspectos para a modernização do clássico, a trama trouxe elementos tecnológicos presentes atualmente, como, por exemplo:
- Transmissão ao vivo da queima de livros, com “curtidas” e comentários daqueles que estão assistindo;
- Conceito de “graffiti” para se referir aos livros;
- Sistema de para preservar o conhecimento digitalmente.
Utilizando-se desses conceitos modernos, a sensação que a adaptação traz é a de algo que poderia estar acontecendo no presente, visto que a obra original é “antiga”. Como o romance foi publicado em 1953, o público poderia achar que a história, ainda que relevante, tivesse cara de ultrapassada.
Enredo: a chama da rebelião acesa em meio ao controle totalitário
O filme “Fahrenheit 451” apresenta em sua trama central um futuro distópico, onde os livros são estritamente proibidos. Como se não bastasse, opiniões próprias são vistas com maus olhos, garantido que o pensamento crítico da população seja suprimido, facilitando o controle sobre as pessoas.
O personagem central do filme é Guy Montag, estrelado por Michael B. Jordan, que trabalha como “bombeiro”. No contexto da obra, bombeiros são aqueles responsáveis pela queima de livros, significando literalmente (na história) “queimador de livro”. O título da obra não é por acaso: 451 é a temperatura em Fahrenheit da queima do papel.
Em contrapartida, a personagem Clarisse McClellan, interpretada por Sofia Boutella, é uma jovem rebelde e questionadora, servindo como contraste à sociedade opressiva da trama. Quando o caminho de ambos os personagens se cruza, Montag acende em si o desejo de questionar a realidade que está inserida, buscando conhecimento e rebelando-se contra o sistema.
Temas centrais e atualizações para o século 21
Os temas centrais de “Fahrenheit 451” podem ser considerados atuais, ainda que a obra seja antiga. Entre os pontos principais abordados na adaptação estão o controle da informação, a censura, o individualismo e supressão de pensamento crítico da população.
Ainda assim, para deixar a obra ainda mais condizente com a era que vivemos, também existem questões que giram em torno da alienação através da tecnologia, disseminação de notícias falsas e a importância do conhecimento na era digital. Isso tudo é colocado de modo a mostrar o papel que os meios digitais têm na supressão do pensamento.
A busca pela felicidade instantânea e a evasão da realidade ficam escancarados ao utilizar esses conceitos modernos na obra. O consumo do entretenimento como ferramenta de busca à felicidade rapidamente alcançável também é responsável pelo vazio existencial, na ótica de “Fahrenheit 451”
Elenco, direção e produção
O elenco de peso do filme é composto por atores e atrizes que dão vida e profundidade à obra. É claro que nem todos os nomes estão citados aqui, mas com toda a certeza alguns desses já estão no imaginário popular, como:
- Michael B. Jordan: Estrelou em filmes como “Creed: Nascido para Lutar”, “Station Fruitvale: A Última Parada”, “Poder sem Limites” e muitos outros títulos de sucesso;
- Sofia Boutella: Atriz, bailarina e modelo argelina-francesa. Também participou de grandes sucessos, entre eles “A Múmia” e “Rebel Moon – Parte 1”;
- Michael Shannon: Ator, produtor, diretor e músico americano. Foi indicado ao Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por “Revolutionary Road” e “Animais Noturnos”.
Não para por aí, além de grandes atores e atrizes tomando a frente das câmeras, “Fahrenheit 451” também contou com um ótimo diretor por trás das lentes. Ramin Bahrani é um diretor e roteirista americano que tem seu espaço garantido na cena da profissão. Em 2021 foi indicado ao Oscar de Melhor Roteiro Adaptado por “The White Tiger”, além de indicações ao BAFTA e Emmy.
Seguindo o padrão de pessoas competentes em suas funções, o responsável pela produção não poderia ser diferente. David Coatsworth possui diversas obras famosas atreladas ao seu nome. “Mestres do Ar”, “Westworld”, “John Adams” e “Lances Inocentes” são apenas alguns de seus sucessos, além de contar com 3 premiações de Primetime Emmy Awards.
Conclusão
A adaptação de “Fahrenheit 451” resgata o alerta do clássico de 1953 para os desafios do século XXI. Com boas atuações, um roteiro com grande potencial, direção e produção na mão de pessoas competentes, definitivamente é um filme que vale a pena ser assistido.
Como aqui, na Citou Filmes, não somos “bombeiros”, viemos espalhar o conhecimento sobre o filme e esperamos pelo seu pensamento crítico para contar-nos o que achou da obra. Confira, também, outras obras presentes aqui no nosso site!
